30 de ago. de 2010

Resta...




Um som escuro rasga essa noite! Uma porta se fecha… Pergunto-me: O que resta? O que fica? O que permanece?… Cortando a alma transparente não cicatrizada vens, invades esse mundo dividido. Lados intitulados: solidão. Partes de mim… Esfinge aflita!
Permiti que o tempo tirasse de mim a capacidade de me surpreender! Cansaço… Não posso mais, tal pulsão é motivo, e se nada perdura ao menos que esse espaço não seja preenchido para que eu possa reencontrar! Procurar…
O que resta? – Um eco daquilo que não encarei… Minhas incapacidades, meus limites! E a entrega, mesmo não sendo o melhor caminho: Andei, pisei nas possibilidades! Permanece…
O que fica? – A esperança. Minhas mortes para aquilo que descaradamente a covardia negou, mas não passou despercebida. Face que eu virei, olhando para dentro de mim. Imagem transfigurada de alguém que vira as costas. Não me olhava de frente… Ficaram espaços. Impossibilidades de encontro. Além de onde fui?… Resta!
O que permanece? A busca. Eu esqueci o caminho… Só aquilo que é universal remonta meus pedaços! Preciso ser refeita, preciso que o som reencontre a porta para que a luz me cegue e eu abra! Fica…

Karla Fioravante, vocalista grupo Cantores de Deus

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